Análise de Desempenho
Edson Gil
 

Dúvida constante nas palestras que faço é quanto a maneira de avaliar se o laboratório está dentro do escopo de negócio desejado pelo seu proprietário quando de sua fundação.

Ocorre que em muitos casos, a grande maioria das pessoas, mesmo as mais experientes, não sabem realizar a avaliação de desempenho do seu negócio da forma como se deve. Nem da forma mais simples dirá da forma mais estratégica.

Da forma mais simples, bastaria realizar o confronto entre receitas e despesas, confrontado o lucro a cada período de tempo e verificando a relatividade entre seus índices de crescimento. Todos devem seguir uma linha de tendência específica.

Ora, se estratégia de empresa sempre é muito mais complexa (e prazerosa) do que o gerenciamento do negócio em si, é obvio que a análise de desempenho de um negócio deve e muito extrapolar os números da lucratividade. Deve ser e ter muito mais, atribuindo a esta importante ferramenta uma característica menos mística e muito mais científica.

A Análise de Desempenho Estratégico deve ser traçada a partir da avaliação da amplitude de desempenho da organização em cada uma das áreas significativas para a gestão estratégica: finanças, marketing, recursos humanos, operações e produção.

Ou seja, não basta apenas a análise do desempenho da lucratividade da empresa, simplesmente por estar cometendo a falha de realizar dentro de uma limitação de variáveis muito baixa.

Basta que a empresa esteja em um período de sazonalidade, alta ou baixa, mas sem refletir a realidade da média do seu desempenho ao longo de um determinado período de tempo para que o empresário se perca e não chegue a números significativos.

O fato é que o desempenho organizacional deve levar em consideração fatores importantes de cada uma das áreas da empresa.

De nada adianta se a empresa, o seu laboratório, esteja dando lucro, sem haver perspectivas de crescimento no mercado (tipo mercado em declínio). É mais provável que esteja em uma onda sazonal do que em franco crescimento como os números financeiros poderão apenas sugerir.

Neste caso, a solução é simples. Basta que também seja avaliada a linha de crescimento do número de pacientes (ou clientes) e confrontada com a linha de crescimento de retorno destes clientes.

Trocando em miúdos. Basta fazer as contas para saber se o número de clientes está aumentando e se estes clientes estão retornando ao seu laboratório, independente de quais forem os motivos. Isso poderá, e eu disse que apenas poderá, demonstrar que existe um conjunto de variáveis que os trazem de volta à sua empresa.

Mas ainda não significa crescimento.

Avalie agora se o número de médicos que conhecem o seu laboratório também está crescendo. Veja no banco de dados quais os números em crescimento tanto da quantidade de médicos como da quantidade de cada médico. Trace a partir desta informação o tipo de lucratividade efetiva que estes médicos proporcionam ao seu laboratório em si. 

Além disso, verifique, na parte operacional como estão ocorrendo os exames. Qual o equilíbrio dado entre a linha de operações e a linha de atendimento. Isto é, qual o índice de perda e de retrabalho. Em seguida confronte-o com o número de atendimentos efetuados em seu laboratório. Investigue e veja se há efetivo equilíbrio entre os valores.

Mas ainda não acabou, veja agora o número de funcionários e correlacione com o número de treinamentos efetuados ao longo de um período de tempo. Analise o reflexo que cada treinamento teve junto ao número de clientes atendidos, números de retrabalho, números de faltas e atrasos, e os números dos índices de qualidade.

Por fim, realize uma avaliação de 360º com os seus funcionários e fornecedores. Todos. Pergunte a eles o que pensam da empresa e aguarde a resposta. Veja a importância da transparência em sua gestão e comece a dar as direções necessárias para as mudanças que se fizerem urgentes. Inclusive do seu ego.

Durante cada processo, não esqueça de avaliar as suas próprias expectativas, elas podem estar colocadas no lugar equivocado quanto à gestão de sua empresa.

Somente com uma avaliação de desempenho completa, e esta que falamos agora ainda está em seu nível 3 de 5, é que o gestor da empresa poderá ter a plena certeza de que o negócio está efetivamente crescendo .

Pense nisso, e se precisar de ajuda, conte comigo.

Um abraço a  todos.

PS: Sou grato pelas dezenas de e-mails que recebi a respeito do artigo da edição passada. Alguns realmente me emocionaram.


Administrador, Psicanalista e Filósofo, Edson Gil é Consultor em Estratégia Empresarial e Gerência Competitiva há 18 anos. É Instrutor e Palestrante com mais de 2.400.000 alunos. É afiliado ao Instituto Internacional de Estudos Estratégicos em Harward, EUA. É Autor dos livros “Competitividade em Vendas”, “Liderança e Competitividade” e “A Nova Gerência”. Além disso, é Gestor de Carreiras, atuando como headhunter, coach, couseller e mentor em mais de 1000 empresas do país. Atualmente é Conselheiro de Estratégia de 280 empresas dentro e fora do Brasil e Assessor de Estratégia da presidência de mais de 120 empresas no Brasil.

 

 

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